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Jorge
Amado
Filho de João Amado de Faria e de D. Eulália Leal, Jorge Amado
de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia,
em Ferradas, distrito de Itabuna - Bahia. O casal teve mais três
filhos: Jofre (1915), Joelson (1920) e James (1922). Com apenas
dez meses, vê seu pai ser ferido numa tocaia dentro de sua própria
fazenda. No ano seguinte uma epidemia de varíola obriga a família
a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus. Em 1917 a família
muda-se para a Fazenda Taranga, em Itajuípe, onde seu pai volta
à lida na lavoura de cacau. Em 1918, já alfabetizado por sua
mãe, Jorge retorna a Ilhéus e passa a freqüentar a escola de D.
Guilhermina, professora que não hesitava usar a palmatória e impor
outros castigos a seus alunos. No ano de 1922 cria um jornalzinho,
A Luneta, que é distribuído para vizinhos e parentes.
Nessa época vai estudar em Salvador, em regime de internato, no
Colégio Antonio Vieira, de padres jesuítas. A bela redação que apresentou
ao padre Luiz Gonzaga Cabral, com o título de O Mar,
lhe rende elogios e faz com que o religioso passe a lhe emprestar
livros de autores portugueses e de outras partes do mundo. Dois
anos depois, seu pai vai levá-lo até o colégio após as férias. Despedem-se
e Jorge, ao invés de entrar nele, foge. Viaja por dois meses até
chegar à casa de seu avô paterno, José Amado, em Itaporanga, no
Sergipe. A pedido de seu pai, seu tio Álvaro o leva de volta para
a fazenda em Itajuípe. É matriculado no Ginásio Ipiranga, novamente
como interno. Conhece Adonias Filho e dirige o jornal do grêmio
da escola,A Pátria.Pouco tempo depois funda
A Folha, que fazia oposição ao primeiro. No ano de 1927,
passa para o regime de externato e vai morar num casarão no Pelourinho.
Emprega-se como repórter policial no Diário da Bahia.
Pouco depois vai para o jornal O Imparcial. Uma poesia
de sua autoria,Poema ou prosa, é publicada na revista
A Luva. Conhece o pai-de-santo Procópio, que o nomeará
ogã (protetor), o primeiro de seus muitos títulos no candomblé. Reúnem-se
em torno do experimentado jornalista e poeta Pinheiro da Veiga os
integrantes da Academia dos Rebeldes, grupo literário do qual, além
de Jorge, faziam parte Clóvis Amorim, Guilherme Dias Gomes, João
Cordeiro, Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Aydano do Couto Ferraz,
Emanuel Assemany, Sosígenes Costa e Walter da Silveira. A Academia
fazia oposição ao grupo Arco Flexa e pregava, no dizer de
Jorge Amado,uma arte moderna sem ser modernista. Os
trabalhos de seus integrantes são publicados nas revistas Meridiano
e O Momento, ambas fundadas por eles. Em 1929, começa
a trabalhar em “O Jornal” onde publica, sob o pseudônimo de Y. Karl,
a novela Lenita, escrita em parceria com Dias da Costa
e Edison Carneiro, que assinavam como Glauter Duval e Juan Pablo.No
ano seguinte transfere-se para o Rio de Janeiro para estudar. Conhece
Vinicius de Moraes, Otávio de Faria e outros nomes importantes da
literatura. Lenita é editada em livro por A. Coelho
Branco Filho, do Rio de Janeiro. Aprovado, entre os primeiros colocados,
na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, em 1931,
Jorge vê publicado pela Editora Schmidt seu primeiro romance,
O país do carnaval, com prefácio de Augusto Frederico
Schmidt e tiragem de mil exemplares. O livro recebe elogios dos
críticos e torna-se um sucesso de público. No ano de 1932, muda-se
para um apartamento em Ipanema com o poeta Raul Bopp. Conhece José
Américo de Almeida, Amando Fontes, Rachel de Queiroz (através de
quem se aproxima dos comunistas) e Gilberto Freyre. Sai a segunda
edição de O país do carnaval, desta vez com tiragem
de dois mil exemplares. Aconselhado por Otávio de Faria e Gastão
Cruls, desiste de publicar o romance Rui Barbosa nº. 2;
para eles, o livro não passava de uma cópia de O país do carnaval.
Viaja para Pirangi, na Bahia; impressionado com a vida dos trabalhadores
da região, começa a escrever Cacau. A Ariel Editora,
do Rio, em 1933, publica Cacau, com tiragem de dois
mil exemplares e capa e ilustrações de Santa Rosa. O livro esgota-se
em um mês; a segunda edição sai com três mil exemplares. Entre a
primeira e a segunda edição de Cacau, Jorge tem acesso, através
de José Américo de Almeida, aos originais de Caetés,
romance de Graciliano Ramos. Empolgado com o talento do escritor
alagoano, viaja para Maceió só para conhecê-lo, iniciando uma amizade
que duraria até a morte de Graciliano. Conhece também José Lins
do Rego, Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima. Torna-se redatorchefe
da revista Rio Magazine. Casa-se em dezembro, em Estância,
Sergipe, com Matilde Garcia Rosa. Juntos, eles lançam, pela Schmidt,
o livro infantil Descoberta do mundo. Em 1934, publica — também
pela Ariel — o romance Suor. Trabalha na Livraria José
Olympio Editora, do Rio de janeiro, primeiro escrevendo releases
e depois na parte editorial propriamente dita; tendo influenciado
na publicação de O conde e o passarinho, primeiro livro
de Rubem Braga, e no lançamento de autores latino-americanos como
o uruguaio Enrique Amorim, o equatoriano Jorge Icaza, o peruano
Ciro Alegría e o venezuelano Rómulo Gallegos (de quem traduziu o
romance Dona Bárbara). Nasce sua filha Eulália Dalila
Amado, em 1935. Escreve em A Manhã, jornal da Aliança
Nacional Libertadora, pelo qual cobre a viagem do presidente Getúlio
Vargas ao Uruguai e à Argentina.Cacau é publicado pela
Editorial Claridad, de Buenos Aires. Neste mesmo ano Cacau
e Suor seriam lançados em Moscou. Conclui o curso de
Direito. Lança Jubiabá pela José Olympio Editora. Sofre
sua primeira prisão em 1936, por motivos políticos: acusado de participar
do levante ocorrido em novembro do ano anterior em Natal — chamado
de Intentona Comunista” — é detido no Rio. Publica “Mar morto”,
que recebe o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras. No
ano seguinte faz papel de pescador no filme “Itapuã”, de Ruy Santos,
no qual também colabora com o argumento. Viaja pela América Latina
e depois vai aos Estados Unidos. Enquanto está fora, sai no Brasil
“Capitães da areia”. Quando chega a Belém, vindo do exterior, é
avisado pelo escritor paraense Dalcídio Jurandir do golpe de Vargas.
Foge para Manaus, mas lá é preso. Seus livros, considerados subversivos,
são queimados em plena Salvador por determinação da Sexta Região
Militar. Segundo as atas militares, foram queimados 1.694 exemplares
de O país do carnaval,Cacau,Suor,
Jubiabá,Mar morto e Capitães da areia.Liberto,
em 1938, o escritor é mandado para o Rio. Muda-se para São Paulo,
onde reside com Rubem Braga. Depois vai para a Bahia e em seguida,
Sergipe; aqui imprime uma pequena edição do livro de poemas “ A estrada
do mar”, que distribui para os amigos. Estréia em dois consagrados
idiomas literários do Ocidente:Suor sai em inglês
pela pequena New America, de Nova York, e Jubiabá em
francês pela prestigiosa Gallimard. Retorna ao Rio no ano de
1939. Exerce intensa atividade política, em decorrência das torturas
de presos e a desarticulação do Partido Comunista. Torna-se redator-chefe
das revistas Dom Casmurro e Diretrizes. Inicia colaboração com a
revista Vamos ler; que manterá até 1941. Compõe, com Dorival Caymmi
e Carlos Lacerda, a serenata Beijos pela noite. O escritor
franco-argelino Albert Camus, futuro Nobel de Literatura (1957),
escreve artigo no jornal Alger Républicain classificando Jubiabá
de magnífico e assombroso.Diretrizes publica o primeiro
capítulo de ABC de Castro Alves, em 1940, e edita também,
em forma de folhetim, a novela Brandão entre o mar e o amor,
iniciada por Jorge Amado e continuada por José Lins do Rego, Graciliano
Ramos, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz. Trabalha no jornal Meio-Dia. Decide
escrever, em 1941, um livro sobre Luís Carlos Prestes, pensando
numa possível campanha por sua anistia. Viaja para o Uruguai a fim
de recolher material; também faz pesquisas sobre o tema na Argentina.
Lança ABC de Castro Alves, pela Livraria Martins Editora,
de São Paulo.Publica em Buenos Aires A vida de Luís Carlos
Prestes, em 1942. Embora editado em espanhol, o livro é vendido
clandestinamente no Brasil. Volta ao país, mas é preso ao desembarcar
em Porto Alegre. De lá é enviado para o Rio. Não permanece, porém,
na então capital federal: a polícia decide despachá-lo para Salvador,
onde fica confinado. O ano de 1943 marca sua volta às páginas de O Imparcial
assinando a seção Hora da guerra e escrevendo pequenas
histórias na coluna José, o ingênuo, que reveza com
o jornalista e escritor baiano Wilson Lins. Sai Terras do
sem fim, seu primeiro livro a ser vendido livremente após
seis anos de censura. Em 1944, a pedido de Bibi Ferreira escreve
a peça O amor de Castro Alves, mas a companhia teatral
da atriz é desfeita antes da encenação. Lança São Jorge dos
Ilhéus. Desquita-se de Matilde. Participa, em janeiro de
1945, na condição de chefe da delegação baiana, do I Congresso de
Escritores, em São Paulo. O encontro termina com uma manifestação
contra o Estado Novo. Jorge é preso por um breve período juntamente
com Caio Prado Jr. O Barão de Itararé apresenta o romancista a Zélia
Gattai na Boate Bambu, durante jantar em homenagem aos participantes
do Congresso de Escritores. Passa a viver em São Paulo, onde chefia
a redação do jornal Hoje, do Partido Comunista Brasileiro. Escreve
também na Folha da Manhã. Torna-se secretário do Instituto Cultural
Brasil-URSS, cujo diretor era Monteiro Lobato.Sai no Brasil A
vida de Luís Carlos Prestes, rebatizado de O cavaleiro
da esperança. Em julho, passa a viver com Zélia. No mesmo
mês participa, ao lado do poeta chileno Pablo Neruda (que em 1971
ganharia o Nobel de Literatura), do comício de Luís Carlos Prestes
no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Lança Bahia de Todos
os Santos. É eleito, com 15.315 votos, deputado federal pelo
PCB. Publica o conto História de carnaval na revista
O Cruzeiro.Terras do sem fim sai pela respeitada editora
A. Knopf, de Nova York. No ano seguinte assume o mandato na Assembléia
Constituinte e passa a residir no Rio de Janeiro. Várias de suas
emendas, como a da liberdade de culto religioso e a que dispõe sobre
direitos autorais, são aprovadas.Lança Seara vermelha,
pela Martins e, pela Edições Horizonte, do Rio de Janeiro,Homens
e coisas do Partido Comunista. Entusiasmado com a leitura
de Jubiabá, chega à Bahia o fotógrafo e etnólogo francês
Pierre Verger, que acabaria se radicando em Salvador e se tornando
um dos amigos mais íntimos de Jorge Amado.
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Publica, em 1947,
pela Editora do Povo, do Rio de Janeiro,O amor de Castro
Alves. É um ano de vários acontecimentos na área do cinema
para o escritor: a Atlântida compra os direitos de Terras
do sem fim; ele escreve os diálogos do filme O cavalo
número 13, uma produção de Fernando de Barros e ainda o argumento
de Estrela da manhã, que seria dirigido por Mário Peixoto,
encarregado também do roteiro (o filme acabou sendo feito, mas não
por Peixoto). Nasce, no Rio de Janeiro, o filho João Jorge. Com
o cancelamento, em janeiro de 1948, do registro do Partido Comunista,
o mandato de Jorge Amado é cassado. Sem assento na Câmara Federal
e tendo seus livros considerados como material subversivo,
o escritor, ainda no mês de janeiro, parte sozinho em exílio voluntário
para Paris. Em fevereiro, sua casa no Rio é invadida por agentes
federais, que apreendem livros, fotos e documentos. Logo após o
episódio, Zélia e o filho partem para Gênova, Itália, onde Jorge
os apanha, levando-os a residir com ele em Paris. É nesta ocasião
que o escritor trava amizade com Jean-Paul Sartre, Picasso e outros
expoentes da literatura e da arte mundial. Na Polônia, participa
do Congresso Mundial de Escritores e Artistas pela Paz. Com o título
de Terras violentas, estréia no Rio a adaptação da Atlântida
do romance Terras do sem fim. Para comemorar o primeiro
aniversário do filho, escreve a história O gato Malhado e
a andorinha Sinhá. Viaja pela Europa e União Soviética. Em
1949, dirigindo-se para a Tchecoslováquia, onde participaria de
um congresso de escritores, sofre um acidente de avião na cidade
de Frankfurt, Alemanha; escapa ileso. Morre no Rio,de repente,
conforme conta o escritor, sua filha Eulália. Por motivos políticos,
em 1950, o governo francês expulsa Jorge Amado e sua família do
país. O escritor, Zélia e João Jorge passam a residir em Dobris,
Tchecoslováquia, no castelo da União dos Escritores. Realiza viagens
políticas pela Europa Central e União Soviética. Escreve O
mundo da paz, livro sobre os países socialistas. No ano seguinte
escreve o romance tripartido Os subterrâneos da liberdade
(Os ásperos tempos, Agonia da noite e A luz no túnel). Sai no Brasil,
pela Editorial Vitória, do Rio, o livro O mundo da paz
pelo qual Jorge Amado seria processado e enquadrado na lei de segurança.
Nasce em Praga sua filha Paloma. Recebe, em Moscou, o Prêmio Internacional
Stalin.Vai à China e à Mongólia, em 1952. Volta ao Brasil com a
família fixando residência no apartamento de seu pai, no Rio de
Janeiro. Responde ao processo por O mundo da paz. O
juiz responsável pelo caso arquiva o processo, dizendo que o livro
é sectário e não subversivo. Com a aprovação, nos Estados
Unidos, da lei anticomunista, o escritor é proibido de entrar naquele
país; seus livros também são vetados por lá. Viaja à Europa,
Argentina e Chile, em 1953. Na última etapa do giro, é informado
sobre a doença de Graciliano Ramos. Volta ao Brasil para rever o
amigo, que acabaria morrendo em seguida. Jorge Amado faz então o
discurso de despedida à beira do túmulo de Graciliano, a quem substitui
na presidência da Associação Brasileira de Escritores. Dirige a
coleção Romances do povo, da Editorial Vitória; acabará
fazendo este trabalho até 1956. Sai a quinta edição de "O mundo
da paz; o escritor proíbe reedições da obra, por acreditar
que o livro trazia uma visão desatualizada da realidade dos
países socialistas. O romance Os subterrâneos da
liberdade é lançado em três volumes, em 1954. A trilogia provoca
uma dura reação dos trotskistas brasileiros, gerando polêmica com
o jornalista Hermínio Sacchetta (o Abelardo Saquilá
do romance). Sai em Portugal, pela Editorial Avante, um folheto
de seis páginas assinado por Jorge Amado e Pablo Neruda, cujo objetivo
era contribuir para a libertação do líder comunista Álvaro Cunhal
e marcar posição contra o salazarismo.De janeiro a março de 1955,
permanece em Viena. Em dezembro faz rápida viagem à Bahia. É
lançada, pela Ricordi brasileira, em 1956, a partitura de Não
te digo adeus, com letra de Jorge Amado e música do músico
e maestro amazonense Cláudio Santoro. Assume no Rio a chefia de
redação do quinzenário Para-todos, ao lado do irmão James, de Oscar
Niemeyer e Moacir Werneck de Castro, dentre outros. Sai do Partido
Comunista, segundo explica,porque queria voltar a escrever.
Jorge Amado diz que sabia desde 1954 das atrocidades de Stalin,
denunciadas publicamente neste ano no XX Congresso do PCUS.Mas
na realidade deixei de militar politicamente porque esse engajamento
estava me impedindo de ser escritor, afirma. Viaja ao Oriente
ao lado de Zélia, Pablo e Matilde Neruda, em 1957.Terras
do sem fim é lançado em quadrinhos. Carlo Ponti, cineasta
italiano, compra os direitos de Mar morto; mas o filme
não chega a ser realizado. Conhece a mãe-de-santo Menininha do Gantois,
a quem ficaria ligado até a morte dela, ocorrida em agosto de 1986. Na
tranqüilidade de Petrópolis, em 1958, escreve Gabriela, cravo
e canela. O livro, publicado em agosto, esgota 20 mil exemplares
em apenas duas semanas; até dezembro venderia mais de 50 mil exemplares.
Sai o disco Canto de amor à Bahia e quatro acalantos de Gabriela,
cravo e canela, trazendo leituras de Jorge Amado e música
de Dorival Caymmi. No ano seguinte,Gabriela coleciona
prêmios: Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro; Jabuti,
da Câmara Brasileira do Livro e Luiza Cláudio de Souza, do Pen Club,
são alguns deles. O romance ultrapassa a casa dos 100 mil exemplares
vendidos. Recebe em Salvador, do Axé Opô Afonjá, um dos mais altos
títulos do candomblé, o de obá orolu (também receberam tal distinção
o compositor Dorival Caymmi e o artista plástico Carybé). Obá,
no sentido primitivo, é um dos doze ministros de Xangô, explica
Jorge Amado. Funda a Academia de Letras de Ilhéus. Lança na revista
Senhor, do Rio de Janeiro, a novela "A morte e a morte de Quincas
Berro Dágua"; a idéia inicial era que este texto, de 98 páginas
datilografadas e escrito em dois dias, integrasse o romance "Os
pastores da noite". Naquela mesma publicação sairia o conto
"De como o mulato Porciúncula descarregou o seu defunto". Na
condição de vice-presidente da União Brasileira de Escritores,
Jorge Amado promove, com o então presidente Peregrino Jr., o Festival
do Escritor Brasileiro num shopping center de Copacabana, em 1960.
A data do evento, 25 de julho; acabaria sendo consagrada, por decreto
governamental, como "Dia do Escritor". Ciceroneia o casal
Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em sua estada no Brasil. Por
unanimidade, é eleito, no dia 6 de abril de 1961, em primeiro escrutínio,
para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, que pertencia
a Otávio Mangabeira. No mesmo mês estréia na Tv Tupi do Rio de Janeiro
a adaptação de "Gabriela" feita por Antônio Bulhões de
Carvalho e com direção de Maurício Sherman; no papeltítulo da novela
está Janete Vollu de Carvalho e no de Nacib, Renato Consorte. A
Metro Goldwin Mayer compra os direitos de adaptação para o cinema
de "Gabriela". Com o dinheiro, Jorge adquire um
terreno em Rio Vermelho, então na periferia de Salvador, e começa
a construir lá uma casa. Anos depois, o escritor recompraria do
estúdio americano os direitos do romance. Ele assegura que não se
lembra mais de nenhum dos valores negociados com a Metro. A posse
na ABL acontece no dia 17 de julho; lá Jorge Amado é recepcionado
por Raimundo Magalhães Jr. Sai Os velhos marinheiros,
livro que comporta as novelas A morte e a morte de Quincas
Berro Dáguá e A completa verdade sobre as discutidas
aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão de longo
curso. É eleito membro do Conselho da Presidência do Pen Club
do Brasil. O presidente Juscelino Kubitschek convida-o para ser
embaixador do Brasil na República Árabe Unida; o escritor recusa
o convite. Homenagens no Rio, na Bahia e em outros estados por seus
30 anos de atividade literária; sua editora, a Martins, lança um
livro alusivo à data. A revista francesa Les Temps Modernes publica
a tradução de A morte e a morte de Quincas Berro Dágua.
Seu
pai morre no Rio de Janeiro, aos 81 anos de idade, em 1962. Cria
a Proa Filmes, companhia de cinema cujo primeiro e único trabalho
é a adaptação de Seara vermelha, com direção de Alberto
D'Avessa e estrelada por Marilda Alves; o filme estrearia no ano
seguinte. Saí, pela gráfica O Cruzeiro, o romance policial O
Mistério dos MMM, escrito por Jorge Amado, Viriato Corrêa,
Dinah Silveira de Queiroz, Lúcio Cardoso, Herberto Sales, José Condé,
Guimarães Rosa, Antonio Callado, Orígenes Lessa e Rachel de Queiroz.
Viagem a Havana, a convite da União dos Escritores Cubanos. O
cavaleiro da esperança é apreendido pela polícia, em 1963.
Instalase na casa do bairro de Rio Vermelho (à Rua Alagoinhas,
33), onde reside até falecer. Lança Os pastores da
noite, em 1964. No ano seguinte publica o conto As
mortes e o triunfo de Rosalinda na antologia Os dez
mandamentos, da editora Civilização Brasileira, do Rio de
Janeiro. Graças à intervenção de Guilherme Figueiredo, então adido
cultural do Brasil na França, Jorge Amado e sua família recebem
autorização para poder entrar de novo naquele país. A Warner Brothers
adquire os direitos de filmagem de A completa verdade sobre
as discutidas aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, capitão
de longo curso. Mais de mil pessoas comparecem à primeira
sessão de autógrafos de Jorge Amado em Portugal, em 1966, na Sociedade
Nacional de Belas Artes. O escritor chega aos mil autógrafos no
lançamento de Dona Flor e seus dois maridos na livraria
Civilização Brasileira, em Salvador. O romance sai com tiragem de
75 mil exemplares. Uma segunda sessão de autógrafos é marcada na
capital baiana para atender aos leitores que ficaram de fora da
primeira.  Em
maio de 1999, é hospitalizado para fazer exames de rotina e
tratar de um mal-estar digestivo. Em junho, a Fundação
Casa de Jorge Amado lança o livro "Rua Alagoinhas 33, Rio
Vermelho", sobre a casa em que o autor vivia e sobre seu
cotidiano.Cada vez mais recluso, face a seus problemas de saúde,
comemora em agosto de 2000, com poucos amigos e a família, seus
88 anos. Vivia deprimido por se encontrar quase sem enxergar,
sob dieta rigorosa, privando-se do que muito gostava: de escrever,
de ler um bom livro e de um bom prato. No dia 21 de junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma crise
de hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca. Após alguns dias,
retorna à sua casa, porém, em 06 de agosto volta a se sentir mal
e falece na ci dade de Salvador às 19,30 horas. A seu pedido, seu
corpo foi cremado e suas cinzas foram espalhadas em torno de uma
mangueira em sua residência no Rio Vermelho.
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A
Hora da guerra, 2008, R$-50,00
O menino grapiúna, 2010, R$-29,00
As
mortes e o triunfo de Rosalinda, 2010, R$-30,00
O
milagre dos pássaros, 2008, R$-31,50
Capitães
da areia,2008 R$-37,00
Capitães
da areia-ed de bolso, 2009, R$-23,00
Os
velhos marinheiros ou o capitão de longo discurso, 2009, R$-49,00
De
como o mulato Porciuncula...2008, R$-33,00
Dona
flor e seus dois maridos,2008 R$-53,00
Terras
do sem fim, 2008 R$-44,00
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Gabriela
cravo e canela, 2008, R$-41,00
Cacau,
2010, R$-40,00
Os
pastores da noite, 2009, R$-46,00
Jubiabá,
2008, R$-35,00
Farda,
fardão, camisola de dormir, 2009, R$-46,00
Seara
Vermelha, 2009, R$-49,00
Mar
morto, 2008, R$-35,00
Caixa
com 03 contos ilustrados, 2010, R$-48,00
A
morte e a morte de Quincas berro d'agua, 2008 R$-25,00
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O
sumiço da santa, 2010, R$-42,00
 São
Jorge dos Ilhéus, 2010, R$-49,00
O
ABC de Castro Alves, 2010 R$-37,00
A
descoberta da américa pelos turcos, 2008, R$-34,00
Tenda
dos milagres, 2008 R$-45,00
Tereza
Batista cansada de guerra,2008 R$-53,00
Tieta
do agreste, 2009 R$-70,00
Tocaia
grande, 2008, R$-53,00
Cadernos
de Literatura Brasileira, Jorge Amado, IMS, R$-57,00
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